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 04/07/2004 a 10/07/2004


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COLICA - Coletivo Libertário Causando Alarde!


PORQUE TODOS DEVEM SER LIVRES!


Bem-vindo ao blog do COLICA - Coletivo Libertário Causando Alarde! Esta é uma "edição virtual" do jornalzine Alarde! Nesse espaço são publicados textos e imagens relacionados a política, cultura e outros aspectos da sociedade.


Na seqüência, confira trechos inéditos da entrevista com Xinez dos Excomungados (matéria publicada na edição nº 24 do "Alarde!"):

O Pato Fu gravou uma música dos Excomungados?
A música Vida de Operário foi criação coletiva. Foi feita no Bloco F. Todo mundo participou, inclusive eu fazendo uma prensa de máquina na guitarra. Uma música industrial, depois virou música meio caipira: moda de viola, com o Patife Band. Eu acho que aí o Pato Fu escutou e fez uma versão mais pop. Está no cd Gol de quem? do Pato Fu e no disco Corredor Polonês, do Paulo Patife.

E a primeira gravação?
Nós gravamos um programa para a ECA (Escola de Comunicação e Artes). Um programa de rádio, acho que foi uma das primeiras gravações da gente. O Patife também participou. Mesmo naquela época, ele já tinha uma ligação com o Patife Band. Aí ele arrumou um estúdio para a gente e nós gravamos o Pela Primeira Vez no Paraíso. Muita gente acha que tem um sentido religioso no título, mas na verdade era porque o estúdio ficava no bairro do Paraíso. Um estúdio caseiro, oito canais. O Vander que fez. Aí era barulheira: eu tocava guitarra na época, era mais barulho ainda. A formação era eu (na guitarra), o Mineiro, o Oswaldo e o Falcão, que era o vocal. O Marquinho também tocou... Mas na época era meio oscilante. Tinha o Carlos (“Poeta”), que é professor hoje da Geologia. Foi um dos melhores baixistas da gente, de uma vertente mais rock’n’roll mesmo do punk: “Estou de saco cheio de rock’n’roll...”. Tinha uma música dele que era assim. Hipócrita, uma música que está no primeiro disco, também é dele. Mas as músicas eram feitas em conjunto: o cara vinha com a letra, com a idéia, mas o acabamento todo era o conjunto que fazia.

A respeito da pessoa que você conhecia e foi internada, qual foi o desfecho dela?
A gente viu que o cara sofria. Quase tomou choque. Tinha um que era da banda, mas não vou falar nem o nome. Mas a gente já viu muito disso aqui no Crusp mesmo: volta de internação mal... Eu pessoalmente sou contra. E se alguém conhecer algum movimento anti-manicômio e quiser convidar, a gente vai tocar na boa. Não cobra nada. Quando é movimento social assim não pedimos cachê.

Você já afirmou que a excomunhão não é um “privilégio” só da Igreja...
A gente vê por esse prisma também. Tem um sentido social, não só religioso. Porque excomunhão é quando você não comunga, você não come a hóstia. Uma grande parte da população passa fome, quer dizer, não faz parte da comunhão da sociedade. Então muita gente é excomungada pela sociedade. Um monge perguntou para a gente: “Vocês são excomungados pela Igreja mesmo?”. “Não, mas...”. “Ah, então vocês só são excomungados pela sociedade”, o cara falou. Nos shows a gente distribui a hóstia e faz um papel legal, todo mundo está sendo comungado, digamos.

E o Batuk Inphernal?
O Batuk Inphernal foi uma coisa que aconteceu no Crusp. Toda vez que ia tocar os Excomungados tinha uns caras que faziam barulho perto da gente, batendo lata, gritando... Queriam participar também, ou zoar mesmo. Aí nós falamos: “Pô, esses caras aí são um batuque infernal”. Convidamos eles para tocar e acompanhar a banda. Tinha o Digão, o pichador “Dig”, que tocava no Batuk Inphernal e era tipo um maestro. Era legal o Batuk porque era aberto a participações: quebrava esse negócio de público, platéia. Uma das coisas que eu achava mais legal no punk, ainda acho, é o “Faça você mesmo”.

Apesar dos rótulos depreciativos a banda continua com sonoridade autêntica...
Você vê como mudam as coisas, hoje em dia os caras falam: “Nós gravamos mal mesmo que é para dar uma impressão”. Metallica falou isso: “Não usamos muita coisa para ficar um som cru”. A gente já era considerado banda horrível desde aquela época. “The worst band of the solar system”. O cara começou a falar assim: “Vocês são a pior banda do bairro”, depois: “Vocês são a pior banda da cidade. Ah não, pensando melhor, são a pior do Estado. É, a pior banda do Brasil vai...”. Aí continuou escutando: “Pior da América Latina... do mundo...”. Agora seremos a pior banda do universo, porque da universidade com certeza já somos, mas podemos ser do universo também. Apesar que a concorrência está forte atualmente: tem muita banda trash aí viu...          

Algum show marcou mais a história dos Excomungados?
O Fim do mundo (2002) e o A um passo do fim do mundo (2003) foram importantes para a gente. Recebemos o convite do Ariel (Restos de Nada e Invasores de Cérebros) e da Tina para tocar, e fomos lá. Falam que a apresentação melhor da gente foi no A um passo do fim do mundo. Mais punch. O baixista - o “Macaco Loco” - não estava bêbado. Outras antigas também foram bem legais: o show Anti-Nuclear, por exmplo, só que teve um momento que a gente estava tocando mais para PM do que para punk. Tinha mais de duzentos PMs e eles cercaram a Praça da Sé. Daí que a gente começou a tocar mais rápido. Ficou hardcore a banda: “Toca rápido que a polícia tá chegando! Toca rápido!”. Uma vez recebemos para não tocar. Foi no Congresso da UNE, no Rio de Janeiro. O dia de shows tinha acontecido um dia antes, aí a gente falou: “Vamos tocar assim mesmo”. Estava tendo eleição e nós ligamos as tomadas no meio da votação da UNE, aí os caras ficaram loucos. Pagaram para a gente não tocar: “Quanto vocês querem para não tocar mais?”. Foi um show que a gente não tocou, mas que marcou...

Quem quiser mais informações sobre shows, CDs e outros materiais dos Excomungados, envie um e-mail para excomungados@ig.com.br.


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Escrito por Colica às 22h29
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